O “Correio da Manhã” (CM) publicou há dias uma noticia que me comoveu e entristeceu e, que uma vez ou outra, me fez até escorrer uma lágrima pelo rosto. Para ser breve: os nossos ricos andam a pedir a todos nós, igualmente ou mais ricos, remediados e assim-assim, que os ajudem a manter a vida num escalão aceitável. Se não fosse o CM a afirmá-lo, eu nem acreditava.
O dono do Centro Cultural de Belém, que possui uma quinta no Bombarral, aluga-a para casamentos e outros eventos, entre 320 e 600 pessoas, por preços que não chegam aos 14 euros por cabeça, o que me parece não mais caro que em Almirante Reis. De qualquer modo, note-se que pratos, copos, guardanapos e outros talheres ficam por conta dos organizadores da função.
A minha avó era do tempo que os morgados minhotos organizavam, quatro ou cinco vezes por ano (pelas festas da aldeia e do patrono, no baptizado da sobrinha e na ordenação do padre novo) jantaradas que ficavam nos anais da aldeia. Mas nessas alturas, saía dos aparadores altos, de mogno, toda a baixela que o trisavô trouxera das Índias, em caixotões pesadíssimos que carregadores de Goa penavam, manhãs inteiras, para depositar nos fundos porões de bordo.
Por esses tempos, o feitor, o capataz e quatro ou cinco moçoilos da quinta, olhos vivos e pés ligeiros, controlavam os serviços. Mesmo assim, e para grande desespero daquela tia solteirona que tomava as coisas muito a peito, desapareciam sempre duas colheres, um galheteiro e às vezes até um bule. Agora cada empresa leva o seu serviço e a qualidade não inspira o roubo.
Susana Maggiolli também tem quinta, que aluga para jantares e eventos e sessões de fotografia. Marco Paulo é cliente. Clara Ferraz comprou o Palácio de S. Vicente de Fora em cuja recuperação já gastou quantias “exorbitantes” e vai alugando salas e jardins para ir pagando os precisos.
Saviotti, por seu turno, é um lobo-do-mar que possui dois iates em que se passeia sempre que não estão alugados. A mulher de Vale e Azevedo três patamares da quinta para casamentos. O cavaleiro Rui Salvador promove eventos com “a vivacidade da festa brava” e, finalmente, Maria Manuel Cyrne promoveu o solar da família a hotel de Viscondes e oferece lanches, jantares e lagaradas de azeitona.
Enfim, empreendedores como sempre, os nossos ricos lá vão fazendo pela vidinha.