Lugar Comum

Lugar comum onde se procura que se encontrem experiências, gostos, preocupações que, sendo comum de muitos, possam ser comuns de ainda mais. "Lugar comum" foi o título do último programa do autor numa rádio da rua Tenente Valadim, no Porto, no princípio dos anos 80.

Sábado, Agosto 26, 2006

A direita nunca se arrepende, nem esquece, nem perdoa

Caiu-me sob os olhos, recentemente, um livrito medíocre de um autor igualmente medíocre. Nada disto teria importância se o autor não tivesse tido algum relevo no Portugal de antes de Abril. O seu nome é (ou era) Silva Cunha, foi o último ministro da Defesa de Marcello Caetano e, antes disso, ministro do Ultramar de Salazar.
Nas funções ultramarinas o conheci vagamente na Guiné de 67, quando o homem acompanhou o Tomaz numa visita oficial à colónia. Daqui nenhum mal viria ao mundo se o homenzinho não tivesse tomado o hábito de, ao fim da tarde, na hora do copo antes do jantar, ir para o salão do “Funchal” conversar com os jornalistas.
Para nós era embaraçante porque, além de ele ser quem era e de nós, com poucas excepções, sermos coisas bem diferentes., o sr. Cunha não tinha, de facto, conversa que servisse fosse para o que fosse.
O livrito, além de, naturalmente, pintar com cores berrantes a sua apagada carreira, reproduz o essencial das opiniões e atitudes dos seus patrões (particularmente do primeiro) sobre tudo e mais alguma coisa. Nenhuma revisão, nenhuma reanálise, nenhuma autocrítica. Também não me parece que se estivessse à espera de tal.
O que me incomodou foi o que o autor escreve sobre o colapso da Índia dita portuguesa: “O que se pretendia apenas é que as Forças Armadas (...) se comportassem de acordo com a tradição, de forma a preservar a sua honra e a da Nação (...). Infelizmente assim não aconteceu!” Por outras palavras, exigia o mesmo que Salazar: que os poucos e mal armados soldados se fizessem imolar até ao último, para maior glória do bonapartezinho de Santa Comba.
Cunha escreve isto em 1984, vinte e três anos depois dos acontecimentos e vários após a reabilitação dos militares portugueses de Goa.
Nada disso lhe importa.Independentemente da mediocridade de que se reveste ou com que se exprime, a direita, nascida no ódio, alimentada de e pelo ódio, nunca perdoa.

1 Comments:

Blogger Bart Simpson said...

Para gente menor, menor escrita.
A direita não sabe lidar com as derrotas. Na guerra ou nas urnas, são sempre fruto da manipulação. Por sistema, vem a terreiro evocar outros tempos e doutrinas pouco recomendáveis.

Bom blog. Continue e divulgue-se, sff.

11:02 PM  

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